Já era


NOTAS DO AUTOR


* Mineira criada a tutu de feijão e bisteca de porco.
* Filha caçula. Mimada, mas não ao ponto de tomar café na cama.
* Percebeu que gosta mesmo é de samba. De Noel a Seu Jorge.
* Adora um cafezinho de graça.
* Tem amigos estranhos e tenta se convencer que não é como eles.
* É a favor da democratização do champagne e dos damascos secos.
* Ainda vai comprar um pogoball, um Gênius e um Walkmachine
* Não acha errado roubar uvas nem burlar o cinemark.


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MEU HUMOR

Me sinto: Eu agora estou - i*Eu!




Sábado, Julho 26, 2008
Mulherada muito louca com doce na boca

Eu tinha muita coisa pra escrever sobre os meus últimos meses. Sobre me mudar pra São Paulo, sobre não achar uma casa pra morar, sobre como é ficar na casa de amigos por um mês, sobre pequenas delícias da capital, sobre como é ruim acordar cedo e só voltar a noite e até sobre como mudar os planos, voltar pra casa, pensar em desistir do mestrado, fazer outro vestibular, enfim, mil coisas, mas eu não tive tempo de escrever na época e as coisas não fazem sentido depois de um tempo. Depois que passa tudo parece bobo.
E por falar em bobo, eu vou às Lojas Americanas todo dia, mais ou menos no mesmo horário, compro um chocolate Alpino Barra e fico passeando por lá. É um ritual meu. E todo dia rola paralelamente outro ritual, alguém escolhe um cd do Charlie Brown Jr. pra tocar. Todo santo dia, no mesmo bat-horário: Chorão, sua turma e eu, que fico me lembrando de quando tinha 15 anos. É, eu gostava de Charlie Brown Júnior. Fico tentando lembrar o porquê e não chego a uma conclusão. Eu gostava de Caetano, de Chico, e poxa vida, de Charlie Brown Júnior?
O mais engraçado é a ingenuidade. Tinha uma música que tinha um trecho assim “mulherada muito louca com doce na boca”, e eu imaginava um monte de meninas chupando pirulito, mastigando chicletes e balas. Uma verdadeira orgia alimentar. Droga pra mim era coisa de filme, Cristiane F., Kids, e outros que eu assistia escondida dos meus pais. Conhecia no máximo algumas pessoas que fumavam maconha, mas eram super “maloqueiros”. Tinha outra assim: “se me apresenta essa mulher te dava até um doce”. Olha que legal, o cara arruma uma menina pro amigo e ganha sei lá, um Sonho de Valsa. Uma troca justa, não?
Com tanto doce fico me lembrando também de quando tinha uns cinco anos e gostava de contar a piada do danoninho. Eu tinha aprendido a piada em um programa do Chico Anísio e ela se tornou a minha piada favorita. “Sabe o que o passarinho falou pra passarinha? Quer danoninho?” Contava e ria, ria. Achava tão legal a idéia de dois passarinhos comendo danoninho.Onde já se viu? Passarinhos só comem alpiste, ora essa. O chato era que os adultos pareciam não achar graça, só me olhavam estranho, e eu ria sozinha, como agora, no meio das prateleiras das Lojas Americanas.

postado por Marcela as 12:18 PM
Cumé qui é?

Terça-feira, Julho 08, 2008
Diálogo de fim de amizade ou Tal qual Paulinho cantou

01: -Ei, quanto tempo! Meus Deus, vc sumiu!
02: -Ah, oi... E aí?
01:- Que bom que encontrei você. Estava com saudades.
02:-...
01:-Mas e daí, como vai você, o que tem feito?
02:-Ah, nada demais
01:-Ah...
02:-...
01:-...
02:-Eu tenho quer ir agora. Desculpe.
01-...

postado por Marcela as 8:10 PM
Cumé qui é?

Terça-feira, Abril 29, 2008
Sobre a tão falada Virada

Eu não queria escrever sobre a Virada Cultural de São Paulo, mas todos os jornais, revistas e blogs amigos escreveram, então fiquei com inveja. Bom, a festa foi divertida, com muitos shows, amigos bacanas, centro da cidade cheio, prédios iluminados, pessoas felizes. Tudo muito bonito. Até as pessoas eram bonitas. Bonitas mesmo, de fazer a gente se sentir mais feio do que é. Onde essas pessoas se escondem o resto do ano? Em comerciais de tv? Se bem que os rapazes de camiseta com nome de banda e meninas com cabelo vermelho mal pintado da Praça da República não tinham nada de bonito. E daí a feiúra deles? E daí que um cabeludo filho da mãe vomitou na grama, onde as pessoas estavam descansando e eu deitei em cima. Ganhei o direito divino de odiá-los e falar mal. Mas tudo bem, porque eu levei uma muda de roupa. O difícil foi achar um lugar pra trocar, pois como você já deve ter lido por aí, os banheiros eram escassos. Em consequência, as ruas cheiravam urina, mas sei lá, isso dava até um ar nostálgico de carnaval, de Rio de Janeiro, como disse meu amigo Edu.
Falando em cabeludos, a Gal cortou o cabelo para a Virada. Deve ter perdido uns 3 kilos na poda. Talvez a Bethânia se anime a cortar o dela também. E não sei se foi uma síndrome de Sansão, mas a Gal me pareceu meio sem forças, ficou paradinha no palco. Eu devia ter seguido seu exemplo, mas não, fiquei sassaricando. Doze horas depois eu não agüentava mais nada, pois assim como a baiana, eu estou velha e gorda. Meus pés se revoltaram contra mim e juraram que se eu não fosse embora, eles jamais entrariam em contato com o solo novamente. Tive que ceder e acabei perdendo os shows que eu realmente queria ver.
Assisti ainda Mutantes, ou melhor, apenas ouvi, porque estava muito lotado, e o Zé Celso, a Dercy Gonçalvez masculina, mas esse bem de perto, da segunda fila. Os Mutantes erraram quase todas as letras de suas próprias músicas, mas o show tinha um clima gostoso. Quanto ao diretor de teatro, o jornal de hoje dizia “Zé Celso toca Noel Rosa na virada”. Esqueceram de colocar a palavra sofrível na frase, mas tudo bem, as pessoas só estavam lá por ele, ficariam igualmente felizes se ele só falasse palavrões e fosse embora. Achei babaca, mas é sempre tocante ver pessoas adultas emocionadas, mesmo que por um velhinho falando pau e cu.
Resumindo, os shows que eu assisti estavam mais para Virada Cultural do Retiro dos Artistas, mas foi muito bom ainda assim. Para o ano que vem eu prometo voltar a malhar para agüentar andar mais, levar um penico, e carregar meu dinheiro na meia, pois na hora de voltar pra Minas eu descobri que o banco bloqueou meu cartão e eu precisei pegar dinheiro com a mãe do meu amigo Kenan, caso contrário eu teria que virar pedinte de metrô ou apelar para aquele quadro do Gugu, o “De volta pra minha terra”.



Zé Celso, o bom velhinho.
postado por Marcela as 11:31 PM
Cumé qui é?

Sábado, Abril 05, 2008
"Eles já viveram tudo e sabem que a vida é bela"

Um copo de plástico em cima da lixeira, bordas meladas de suco e metade cheia de água de chuva. A abelhas faziam a festa, girando pra lá e pra cá, tentando roubar um pouco de açúcar. Algumas mais gananciosas acabaram afogadas, enquanto as outras voavam com cuidado e tentavam se equilibrar nas beiradas. As sobreviventes não pareciam ligar para as amigas burras e eu fiquei refletindo sobre isso, perdida nos meus pensamentos, quando um casal de velhos se aproximou.
Tinham manchas grandes no rosto, a pele era fina, ela andava curvada e ele de muletas. Chuto uns oitenta e poucos anos. E não, não tinham aparência bonitinha, que me despertasse compaixão. Era só um casal de velhos.
A velha chamou a atenção do velho para o copo cheio de abelhas. Aproximaram-se, tentaram entender porque elas estavam ali. Ele achou que elas foram beber água. Ela achou idiota e eu também. Nunca ouvi falar que insetos bebem água. Será? Fiquei me esforçando para pensar se bebiam ou não, revendo na mente minha apostilinha de biologia. Foi aí que a velha deu um peteleco em uma abelha, fazendo com que ela caísse no chão, desorientada. Achei maldoso, mas ela não. Ela riu, riu deliciosamente, e para concluir a cena pisou na abelha, esfregando a pontinha do pé, como se quisesse garantir que ela não sobreviveria. Tornou a repetir a ação com mais três abelhas, e riu com o mesmo prazer, em todas às vezes.
Sobraram umas quatro abelhas, talvez alheias a tudo que acontecia com suas companheiras, talvez felizes por escapar, mas o velho deu um peteleco ainda mais leve, fazendo com que elas caíssem, uma a uma, dentro do copo, somando ao número de afogadas. Queria ver se ele também daria risada, mas o ônibus chegou e eles se apressaram para entrar na fila, passando na frente dos outros velhinhos e garantindo seus bancos reservados.


postado por Marcela as 6:19 PM
Cumé qui é?

Domingo, Março 09, 2008
Resumão

E depois de alguns dias convivendo com mestres, doutores, universitários, advogados, promotores, juízes, músicos, escritores, homens e mulheres de negócio, uma frase: “Canja de galinha não faz mal a ninguém”.

Salvo a própria.

...




postado por Marcela as 5:25 PM
Cumé qui é?

Sábado, Fevereiro 23, 2008
Tempo Tempo Tempo Tempo

Acordo e tudo mudou. Chiclete não é mais tão gostoso, trufa de brigadeiro é doce demais e o Fidel não está mais no poder. Estou envelhecendo.
Um jornal inteiro sobre o ex-presidente cubano. Meus netos nem saberão quem ele foi. Talvez decorem para a prova e esqueçam depois. Será que até lá o Che ainda vai ser estampa de camisetas? Isso me faz pensar na beleza do tempo, de como a vida é algo muito maior que política, pessoas e ideologias. Paro de achar tudo tão belo quando vejo, na área de publicidade, rostos aprovados no vestibular. Não conheço mais ninguém! Nem irmãos caçulas. Antigamente eu conhecia todo mundo. Velha. Opa, finalmente reconheço um. É ele! Não acredito. O menino bonito. Mas no jornal de vestibulando? Deve ter o que? Dezoito anos? Talvez até dezessete. Oh, céus. Até uns anos atrás pessoas bem mais novas que eu eram crianças, não incomodavam. Agora eles são grandinhos, estão pelos bares, pelas ruas, confundidos e confundindo. Droga. Estou envelhecendo.
Resolvo tomar um sorvete. Parece que o sorveteiro está mal de saúde, é bom correr. Fico me sentindo a mais fria entre os mortais, pois só me preocupa a sobremesa e não o pobre, que passou por várias cirurgias no coração, mas estamos falando do sorvete de doce de leite, o melhor sorvete de todos os tempos, meu sorvete favorito desde criancinha. Tomo com o prazer e a dor de uma despedida. No fim concluo que nem estava tão bom assim. Achei aguado. Seria eu o problema? Eu que estou envelhecendo e ficando chata, ou ele que envelheceu e perdeu a mão? Tomo outro de ameixa ao rum. Muito bom. Vem na minha mente “agora ele pode morrer” e eu me recrimino em seguida.
Voltando para casa reparo que não tem mais o puteiro de sempre na minha rua. Como assim? Pra onde ele foi? Demoliram, meu Deus! Minha rua ficou sem graça agora. Poxa, quais outras ruas tinham o glamour de ter uma casa azul de janelas rosas, escrito Boite Cherry Marta na porta? Era uma ótima referência para os entregadores de pizza.
Lembro do dia que conheci a proprietária. Fui ao supermercado comprar alguma coisa para minha mãe e ela estava lá, conversando animadamente com o caixa, com um saco de mangas que tinha apanhado no quintal. Entrei na conversa, que era sobre guaraná e tubaína. Na hora de ir embora ela me deu uma das mangas. Senhora simpática.
Mais tarde me disseram o que ela era, e que eu não deveria conversar com gente assim, pois poderiam me confundir e outras bobagens. Acho que comecei a envelhecer ali.


postado por Marcela as 1:30 AM
Cumé qui é?