* Mineira criada a tutu de feijão e
bisteca de porco.
* Filha caçula. Mimada, mas não
ao ponto de tomar café na cama.
* Percebeu que gosta mesmo é de samba.
De Noel a Seu Jorge.
* Adora um cafezinho de graça.
* Tem amigos estranhos e tenta se
convencer que não é como eles.
* É a favor da democratização do
champagne e dos damascos secos.
* Ainda vai comprar um pogoball,
um Gênius e um Walkmachine
* Não acha errado roubar uvas
nem burlar o cinemark.
Eu sempre gostei de banheiros. Banheiro é com certeza a melhor parte da casa. Acha estranho que agora as suítes dos ricos possuam um banheiro pra cada casal? Pois eu acho um sonho de consumo. Talvez eu goste por ter mais dois irmãos mais velhos e ter que dividir tudo, não ter privacidade pra nada. Desde criança me trancava no banheiro e ficava horas lendo gibi. Hoje eu não leio mais gibis, mas ainda me tranco. Converso no telefone, escrevo cartas, poemas, músicas, em suma, o banheiro é o meu divã.
O meu grande desconsolo é que agora eu mal freqüento o meu banheiro, praticamente só uso banheiro público. Escovar os dentes, que sempre foi algo íntimo pra mim, agora é como ir à feira. Passo o fio dental e discuto a novela das oito com a estranha que lava as mãos na pia ao lado.
Dizem por aí que os banheiros femininos são mais sujos que os masculinos, mas cá pra nós, o vaso sanitário não deve ter sido inventado por uma mulher. Só quem é mulher sabe como é difícil não se encostar no vaso. É uma verdadeira arte, e direto nos damos mal nessas tentativas, principalmente com algumas doses a mais. Homem não, homem se ajeita em qualquer moita, o que também é nojento, embora invejado por nós.
Na rodoviária Tiête tinha uns tempos pra trás um vaso moderno, que tinha um plástico sobre o assento, e depois que você usava era só acionar a máquina que ela trocava. Era o melhor banheiro público. Pagava um real, mas pagava feliz. Lá eu podia me sentar sem ter medo de pegar uma doença venérea ainda não catalogada. Pena que, segundo a faxineira, as usuárias não tenham se adaptado. As mulheres não entediam como funcionava, puxavam o plástico com força, estragavam a máquina, e a administração resolveu voltar ao velho vaso de sempre.
É, o jeito é ir treinando o equilíbrio. Qualquer hora eu descubro uma boa técnica e publico aqui, caras companheiras de banheiro.
Cheguei a conclusão que preciso refazer minha lista de músicas favoritas. Sim, eu faço listas, ainda que mentais, e na minha lista de músicas não cabe mais aquelas músicas de alguns anos atrás. Acho tudo pra baixo, tudo a um passo do suicídio. É, parece que eu gostava de uma fossa. Lembro que tinha Travessia, tinha Retrato em Preto e Branco, Drão, Sabiá, enfim, tudo triste, triste, triste. Não que agora eu seja a garota propaganda da felicidade em cápsulas, mas sou diferente. Mais leve, eu diria. Talvez quando eu chegar aos setenta só escute Ivete.
Comentei com meu amigo sobre isso e ele me disse que não tinha um top cinco, ou top dez, mas gostava de uma do Gonzaguinha e uma chamada Djobi Djoba. Sabe qual é, né?
Agora me diz, que tipo de pessoa tem essa música como preferida? E pior, assume assim, sem o menor receio. É mais ou menos como confessar que gosta de ouvir Lulu Santos, ou de assistir Lagoa Azul. Pra mim só bêbada na mesa do bar, ou a base de tortura. Mas o Dú, bem...ele abriu um blog, aos poucos você vai descobrir.